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Espaço a umas reflexões sobre doenças mentais e a sociedade

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Dizem que vivemos numa sociedade moderna, inclusiva e consciente da importância da saúde mental.


No entanto, na prática, continuam a existir profundos preconceitos em relação às pessoas que sofrem desse mal silencioso e inquietante.


Não raras vezes, essas pessoas olham para quem sofre desse problema, como sendo alguém com "falta de força de vontade", “comodista”, só agravando o sofrimento de quem vive com estas condições, contribuindo, por isso, para o isolamento do, também apelidado, “maluco”, “tonto”, por aí adiante.


Há uma tendência social para valorizar o desempenho, a produtividade e o sucesso visível, ignorando o sofrimento invisível que muitas pessoas carregam diariamente. Num mundo que exige estar sempre "bem", as doenças mentais são vistas como falhas, como sinais de fraqueza — quando na verdade são doenças reais, tão legítimas quanto uma doença física. Esta mentalidade retrógrada e egoísta, induz o silêncio: muitos preferem calar a dor para evitar julgamentos, adiando o pedido de ajuda até ao limite.


É preciso reconhecer que a saúde mental não é um tema menor. É uma componente essencial da saúde e do bem-estar de qualquer pessoa. No entanto, o sistema — e aqui fale-se tanto das políticas públicas como da mentalidade colectiva — falha ao não garantir respostas atempadas e acessíveis a todos.


Os serviços de saúde mental são, muitas vezes, escassos, com tempos de espera longos, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Isto significa que quem precisa de ajuda urgente pode acabar por não a receber quando mais precisa.


Precisamos de formar cidadãos mais empáticos, escolas mais sensíveis, locais de trabalho mais compreensivos e serviços de saúde mais humanos. Mas, acima de tudo, precisamos de uma sociedade que entenda que uma pessoa com doença mental não é menos capaz, menos digna ou menos humana. Pelo contrário, é alguém que merece ser ouvida, apoiada e respeitada.


Enquanto continuarmos a ignorar ou minimizar estas realidades, estaremos a falhar enquanto comunidade. Lutar contra o estigma é um dever de todos — e é nessa luta que reside a verdadeira evolução social.


 


No próximo abordarei esta temática, mas em contexto laboral.


 


*Desenho da autoria de B.S.D.

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