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A mostrar mensagens com a etiqueta #ansiedade

Os problemas mentais: Parte I

Todos nós, em algum momento, já sentimos ansiedade, num exame, numa entrevista, numa situação nova. Mas viver com ansiedade generalizada é outra coisa. É ter o coração acelerado sem razão aparente. É estar cansado antes de o dia começar.  É sentir que algo está sempre prestes a correr mal… mesmo quando tudo está (aparentemente) bem. Falo disto não só como observador, mas como alguém que convive com pessoas que sofrem deste mal silencioso. Não duvidem, é mesmo isso que acontece: silencioso, invisível e, apesar de todas as políticas, subestimado. De acordo com os dados mais recentes do INE, 34,3% dos portugueses com 16 anos ou mais apresentam sintomas de ansiedade generalizada e não estamos a falar de um desconforto ligeiro. Na verdade, 11,1% têm níveis graves.  Números que são mais altos do que a média europeia. Na Europa, cerca de 25 milhões de pessoas vivem com perturbações de ansiedade, sendo a ansiedade generalizada uma das mais prevalentes. A nível mundial, estamos a...

Espaço a umas reflexões sobre doenças mentais e a sociedade

Dizem que vivemos numa sociedade moderna, inclusiva e consciente da importância da saúde mental. No entanto, na prática, continuam a existir profundos preconceitos em relação às pessoas que sofrem desse mal silencioso e inquietante. Não raras vezes, essas pessoas olham para quem sofre desse problema, como sendo alguém com "falta de força de vontade", “comodista”, só agravando o sofrimento de quem vive com estas condições, contribuindo, por isso, para o isolamento do, também apelidado, “maluco”, “tonto”, por aí adiante. Há uma tendência social para valorizar o desempenho, a produtividade e o sucesso visível, ignorando o sofrimento invisível que muitas pessoas carregam diariamente. Num mundo que exige estar sempre "bem", as doenças mentais são vistas como falhas, como sinais de fraqueza — quando na verdade são doenças reais, tão legítimas quanto uma doença física. Esta mentalidade retrógrada e egoísta, induz o silêncio: muitos preferem calar a dor para evitar julgamen...

Até que as forças não desapareçam

A cada crise que aparece, parece-me que se desmorona o castelo que infinitamente vou reconstruindo. A cada ameia que cai, a cada pedra que se solta, é mais um esforço que faço, na tentativa de unificar o meu “quadrado”. Os castelos são mesmo assim. Erigidos pedra sobre pedra, sem argamassa interligante, fortes e resistentes. Esses são os castelos, os verdadeiros, os medievais. Os outros, os da mente, não são iguais e basta uma pequena aragem para o deitar abaixo. E vamos, momento após momento, reconstruindo, pegando na mesma pedra que colocámos ontem, e, teimosamente, a acomodamos no mesmo exacto lugar, até que as forças se esgotem, até que pesada pedra vença o pensamento atordoado pela negatividade, o corpo cansado pela luta incessantes contra a ansiedade.