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A mostrar mensagens de março, 2025

O velho tronco

  O velho tronco, agora nos seus últimos tempos de existência, não parece resistir às forças que a natureza lhe impôs. O seu interior, outrora sólido e forte, começa a decompor-se, dia após dia, mês após mês, ano após ano. O velho tronco permanece ali, isolado entre as construções e o passeio por onde passo todas as noites na minha caminhada, não como um pedaço de madeira morta, mas como um símbolo de resistência e renovação

A Espera

Sentado num banco de jardim, Deixo os minutos correr, Sem pensar em nada de importante, Apenas a ouvir o murmúrio do silêncio. Pessoas apressadas, sombras que dançam, Vão e vêm, como folhas ao vento, E o vai e vem dos carros? Num ritmo estonteante, sem consciência. Espero, imóvel, até que um grito, Rompa o silêncio e me acorde, Desta letargia ambulante, Deste corpo morto que me envolve.

Geométrico sentimento.

  A verticalidade do teu olhar deixa-me estacado. Estacado nesta imobilidade física de não ter para onde fugir, Deixa-me, também, num estado de dormência total. E os meus sentidos deixam de ter sentimento, E os meus sentimentos deixam de ter sentido. E assim, cada vez que me olhas nessa verticalidade, Eu sinto-me, apenas e só, uma pálida imagem da minha própria existência, Apenas acalentada pelo  calor do teu olhar.   Imagem:  https://pixabay.com/pt

Que força...

Que segredos escondes nas cicatrizes que transportas? No olhar cansado que mostras, Nos lábios já secos de tanto gritarem, Nos braços flácidos de tanto puxarem, Nas pernas bambas que te levaram. Que segredos contas? Não me dizes? Que sentimento é o teu que me causa arrepios, Que coração de pedra (que não tens) te faz parecer tão frio. Ambos, no fundo, sabemos que os teus segredos não são mais que o resultado das lutas que travaste. Agora, cansado, derrotado, cais para o lado, sem amparo. Nem o sustento que deste aos sustentados te sustenta uma ínfima vontade de viver. A última das tuas forças não vai para ti, Mas para dentro dos teus pensamentos, para a cova que te espera, fria e húmida. Esconde ela também um segredo, O segredo da vida eterna.