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Mensagens

As horas vagas

  As horas são sempre vagas, Mesmo que entre os ponteiros, Navegue um oceano em turbilhão.   As horas são sempre vagas, Mesmo que o nosso ser preencha, Todas as ondas da nossa vida, com sentimentos contraditórios.   As nossas horas serão sempre vagas, Apenas porque a cada hora que passa, Estamos mais próximos da última vaga, A que nos levará para outra dimensão.
Mensagens recentes

O cão que fazia ão, ão

  Era uma vez um cão que fazia ão, ão. Não fazia au au, fazia ão, ão! E vivia num enorme casarão, O casarão do Senhor Barão.   O cão era um animal de estimação, O pet do Senhor Barão, pois então. Dormia no tapete do salão, E o cão que fazia ão, ão, gostava do casarão.   O Senhor Barão gostava muito de melão, Comprava sempre o mais doce da estação, Que aviava na mercearia do Sr. Adão. Todas as sextas-feiras sem falha, nem senão.   O cão na mercearia do Sr. Adão, disse ao Barão, - Sr. Barão, já estou farto de melão. - Não te chega o que comes, o melão é meia  refeição, Disse o Barão ao cão.   A mesa estava pronta para a refeição, Faisão com melão, O Senhor Barão comeu como um latagão, Já o cão, não.   - Então cão porque não comes o melão? - Senhor Barão, já estou cheio com o faisão.   E assim termina esta narração, Do cão que fazia ão, ão, E que vivia num casarão. De tolo não tinha nada,...

Não há nada de mais extraordinário do que ser ignorante

Não há nada de mais extraordinário do que ser ignorante. Tenho para mim que o desconhecimento é fundamental para a nossa felicidade, como aquele ditado que diz: “quem não vê é como quem não sente.” Não concordo com esse ditado, porque sentimos mesmo que não vejamos a razão do sentir. Ser ignorante é ouvir mais do que falar. É deixar que as coisas aconteçam como se cada minuto fosse uma novidade, algo de novo, algo que, a pouco e pouco, vai consumindo a ignorância. Acredito que ninguém vive ignorante toda uma vida; é impossível, até porque o mais básico do conhecimento não deixa de ser uma aprendizagem, um saber, uma razão para questionar. O problema é que, mesmo que se queira ser ignorante, não se consegue, porque vivemos em comunidade, falamos uns com os outros e, mesmo que vivamos num mundo de analfabetos, a ignorância não resiste ao conhecimento que nos rodeia. Por isso é que não existe uma única pessoa ignorante ao de cima da Terra, nem uma. Mas eu gostava de parar o meu conhecimen...

O que conta

Os dias que contam. Contam os dias em que o sol brilha, Contam os dias em que chove a “cântaros”, Contam ainda os dias cinzentos, Que obscurecem a nossa existência. Contam todos os dias, Todos os pássaros que cantam, Todos os peixes que sobrevivem ao Homem, Todos os que contam os dias como seus, Individual e cinicamente  nossos. Foto: @BSD

A minha catarse

A catarse precisa de ser feita, sem qualquer sombra de dúvida, sempre que exista uma razão para isso. Não é um sinal de fraqueza nem de perda de controlo; não tem nada de dramático. Ao longo da vida passamos por fases que nos desafiam e que nos obrigam a parar, a reflectir ou, simplesmente, a tomar a decisão tão esperada, como é o meu caso: a saída da vida profissional. Nos últimos tempos, tenho percebido isso de forma ainda mais clara. A entrada na reforma, por exemplo, é um desses momentos que parece ter tudo para ser leve e libertador, mas nem sempre é assim. De um dia para o outro, mudam as rotinas, as referências, o propósito diário. Ficam espaços vazios que antes estavam preenchidos, surgem dúvidas, inquietações, até medos que nunca imaginámos sentir. Os ditos "amigos" deixam de ligar, a vida segue e segue para os dois lados. Uns continuam a trabalhar e outros não: já o fizeram.  E é precisamente aí, nesse desnorte discreto, nessa solidão social e por vezes famili...

Momentos de Paz

Junto ao azul do mar, Descanso o meu olhar. Descanso, também, as minhas inquietudes, As que me assaltam diariamente. Junto ao mar azul, Com o vento de sul a soprar, Vejo o tempo passar, Adormecendo, finalmente, o meu pensar. Ali, sentado na areia, Sinto-me envolvido pela sensação de paz, Pelo meu sentimento de abandono. Ao longe, o barulho dos viventes atarefados! Deixá-los ir. Eu fico aqui, junto ao azul infinito do mar.   Postal: Conforme indicado no mesmo.