A Dois Passos 1. Acordara cansado, talvez pelo dia de ontem, não sabe, mas sentia-se cansado sem vontade de nada fazer, apenas ficar em casa. Olhou em volta, e no meio daquela pequena divisão ainda dormiam os seus dois filhos, serenos, como que santificados, alheados das dificuldades da vida dura que lhes levava o pão à boca. A sua companheira já tinha partido, fazia pelos Passos dois anos, e nunca mais conseguiu ser o mesmo. Os filhos notavam, embora pequenos, a quebra da força que sempre acompanhou e impulsionou o pai. Mas tinha de reagir, afinal não foi isso que sempre o motivou a sair de casa? Descer a ladeira da Pederneira e trabalhar na praia junto dos colegas que tinha, embora nem todos fossem seus amigos? Para que é que um homem quer amigos quando não tem a sua companheira, quando vê a sua vida desmoronar-se de um momento para o outro? Mas, naquela manhã, as coisas eram diferentes, a sua força parece que o tinha abandonado definitivamente, sentia que mais nada, nem ninguém, o p...
Reflexões a esmo