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Mensagens

Não está ninguém, não existe nada

Porque é que neste Portugal, à beira-mar plantado, não existe uma dinâmica de apoio às pessoas que sofrem de problemas de saúde mental, como a ansiedade generalizada e episódios de pânico?  Mas existe metadona!

Viúva

 

Anjos, Joana Marques e Gil Vicente

O confronto entre os Anjos e a humorista Joana Marques tornou-se num tema diário, colocando em debate questões de direitos de imagem, liberdade de expressão e o papel da crítica social, o que se estranha numa dita e aclamada democracia! Naturalmente que refleti bastante sobre como o humor, particularmente o humor mais "apurado", continua a ser uma forma poderosa de questionar a sociedade, mas também como as reações a esse humor mudaram com o tempo. A verdade é que as "cegadas", uma forma tradicional de crítica social, estão muito presentes na nossa cultura, mesmo que, muitas vezes, não o reconheçamos. E é curioso como uma piada, aparentemente simples, sobre a carreira dos Anjos se tornou num campo de batalha, com acusações de violação de direitos de imagem e até pedidos de uma indemnização que lhes dava para viver o resto das suas vidas no bem-bom (não brinquem comigo)! Tudo porque, para alguns, o limite entre uma crítica jocosa e uma ofensa pessoal pode ser ténu...

Depende de mim… por favor.

  Jura que voltas à tardinha. Diz que me amas, sempre, Mesmo nos estados inconscientes da tua alma. Deixa que a minha memória em ti, Se converta no teu alimento, na água que te tira a sede. Jura, por fim, que na separação final, A tua alma se unirá à minha. E nem quero saber para onde vamos. Foto:@BSD

A Biografia de um morto

Desenho: Variações com carvão (BSD:2021) ____________________________________________________________________________________________________ No separador "Ensaios" existem dois projectos de contos.  Como não serão publicados em livro, ficam aqui a marinar. Pode ser que alguém se divirta tanto a ler como eu me diverti a escrever. Quando sentimos que o que escrevemos nos faz sentir muito bem, então é porque escrevemos com o coração e, naturalmente, com a cabeça.  Acabei por seguir o conselho do amigo João Afonso. Ver:  https://letrasenotas.blogs.sapo.pt/indeciso-21186   ____________________________________________________________________________________________________ A Biografia de um Morto Parte 1: Dizem que quando se morre se vê uma luz branca no fundo de um túnel. Não foi isso que me aconteceu. Quando morri, lembro-me muito bem, não havia luz devido a um corte de energia numa das fases da casa onde estava. Portanto, estava escuro como breu e a minha mãe tinha ...

Partir

Partir é deixar para trás as pessoas, as casas, as ruas, a vida que levámos até ao momento em que a decisão, tantas vezes forçada, nos impele a procurar algo novo, uma vida nova, uma esperança. Foi isso que fez o Joaquim,  tal como tantos outros que deixaram este Portugal de miséria. Deixou um país onde comer uma côdea de pão era um luxo, onde dormir num colchão era um sonho, onde as mãos se desgastavam na terra e no mar. O Joaquim, ainda jovem, não tinha outra saída senão lançar-se no desconhecido, numa viagem que só conhecia pelo que ouvira dizer. Uma terra que não era a sua, que era longe, muito para além do horizonte, para além do pouco que sabia. Cheio de coragem, e de medo, deixou para trás o cheiro do campo, o calor da família e partiu com uma pequana mala com pouca roupa e muitas dúvidas. Essa terra prometida era um sonho distante, uma miragem que, por vezes, parecia inalcançável. Mas era também uma esperança — a oportunidade de escrever uma nova história - longe da fome e d...

O meu companheiro

Nunca lhe dei um nome. Não por esquecimento, mas talvez por estar ali, pendurado, há anos, firme, imóvel, quase imperceptível, mas constante, na sua presença. Um pequeno leão de peluche, com olhos grandes e curiosos, agarrado ao metal como se soubesse que aquele é o seu posto. Enquanto eu me perco nas páginas dos livros, é ele quem, sem dizer uma palavra, me guia. Não aponta, não sugere em voz alta, apenas observa. E, de alguma forma, parece saber exactamente qual o livro que preciso de consultar, antes mesmo de eu perceber. Há algo de mágico nessa quietude, como se cada silêncio fosse uma orientação e cada olhar parado um sinal. Fiel e discreto, nunca se queixa de nada e gosta de ouvir música clássica! É um verdadeiro companheiro, um confidente do meu pensamento, do meu tempo. Hoje olhei para ele com mais atenção e percebi que, mesmo sem nome, sempre esteve lá, como se fosse uma bússula a indicar-me o norte silencioso das minhas noites, mergulhado nas páginas dos meus outros companh...