
Nunca lhe dei um nome.
Não por esquecimento, mas talvez por estar ali, pendurado, há anos, firme, imóvel, quase imperceptível, mas constante, na sua presença.
Um pequeno leão de peluche, com olhos grandes e curiosos, agarrado ao metal como se soubesse que aquele é o seu posto.
Enquanto eu me perco nas páginas dos livros, é ele quem, sem dizer uma palavra, me guia. Não aponta, não sugere em voz alta, apenas observa.
E, de alguma forma, parece saber exactamente qual o livro que preciso de consultar, antes mesmo de eu perceber. Há algo de mágico nessa quietude, como se cada silêncio fosse uma orientação e cada olhar parado um sinal.
Fiel e discreto, nunca se queixa de nada e gosta de ouvir música clássica!
É um verdadeiro companheiro, um confidente do meu pensamento, do meu tempo.
Hoje olhei para ele com mais atenção e percebi que, mesmo sem nome, sempre esteve lá, como se fosse uma bússula a indicar-me o norte silencioso das minhas noites, mergulhado nas páginas dos meus outros companheiros.
O amigo que todos gostaríamos de ter
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