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Mensagens

Longe

  Caminhava só e pensativo, “Podia roubar as estrelas do céu para ti.” Deve haver alguma forma para que percebas o que sinto. Deixas um sabor a primaveras floridas no teu caminhar,  Os caminhos desta vida mais alegres, E agarras a vida com a força de quem só quer viver. E eu, que sou o silêncio na tua presença, Guardo as palavras que nunca consigo dizer. Olho-te como se fosses horizonte, Bem longe, bem distante. Queria que ouvisses das ondas do mar, Tudo o que não consigo dizer-te. Mas, sabes, nos passos que dou sem rumo, Levo-te sempre comigo, mesmo quando não estás. Mas, se não entendes os meus gestos, Que ao menos sintas o que há em mim, Sempre que respiro o teu nome.   Foto: B.S.D.  

Desafio

Há uns dias um amigo meu enviou-me esta foto, questionando-me se conseguia identificar esta imagem. Lá fui eu vasculhar nos meus livros de iconografia religiosa, mas infelizmente as minhas dúvidas cresciam mais que as cerezas, posto que a imagética na arte sacra vai mudando de acordo com o "gosto" ou influência do escultor, para este caso.  Acresce que a falta de elementos que compunham a obra na sua origem, nomeadamente nas mãos, também contribuem para a dificuldade na sua identificação. Nesse sentido, e apesar de estar na dúvida entre dois nomes, deixo o desafio aos amigos bloguistas na identificação desta santa. Boas pesquisas.

O peso de um "X" num quadradinho

Hoje não me apetece dizer nada. Talvez por andar cansado — cansado de tanta informação, de tanto ruído, de tanto ruído disfarçado de informação. Eleições, partidos, candidatos, sondagens, debates, promessas, ziguezagues. Pretende-se, sempre, ocupar o tempo e o pensamento. Mas, no fundo, ficamos na mesma, o rgulhosamente à espera que as coisas mudem. Que os interesses desapareçam, que o Povo seja, enfim, reconhecido como a força motriz de um país adiado. No domingo lá estaremos, como sempre, a cumprir o ritual: votar, entregar o nosso boletim, esse famoso pedaço de papel que, em teoria e na prática, define destinos. Um simples papel, com quadradinhos, onde se escreve um “X”, apenas num. Como é que algo tão pequeno pode decidir tanto? Como pode a inscrição de uma cruz mudar a vida de tanta gente? Talvez não mude. Talvez não chegue. Talvez apenas nos iluda, mais uma vez. Uns votam por convicção, outros por dever, outros ainda por medo do que possa acontecer se não o fizer. Votamos porque ...

Quando o sol vai dormir

O sol desce devagar, pinta o céu de muitas cores, É o fim do dia. O vento sopra mais lento, o barulho que nos rodeia, cessa. Ficamos sós com os nossos pensamentos Não há pressa,  e nesse silêncio envolvente, existe a certeza que amanhã o sol irá renascer.   Foto: B.S.D.

Os problemas mentais: Parte I

Todos nós, em algum momento, já sentimos ansiedade, num exame, numa entrevista, numa situação nova. Mas viver com ansiedade generalizada é outra coisa. É ter o coração acelerado sem razão aparente. É estar cansado antes de o dia começar.  É sentir que algo está sempre prestes a correr mal… mesmo quando tudo está (aparentemente) bem. Falo disto não só como observador, mas como alguém que convive com pessoas que sofrem deste mal silencioso. Não duvidem, é mesmo isso que acontece: silencioso, invisível e, apesar de todas as políticas, subestimado. De acordo com os dados mais recentes do INE, 34,3% dos portugueses com 16 anos ou mais apresentam sintomas de ansiedade generalizada e não estamos a falar de um desconforto ligeiro. Na verdade, 11,1% têm níveis graves.  Números que são mais altos do que a média europeia. Na Europa, cerca de 25 milhões de pessoas vivem com perturbações de ansiedade, sendo a ansiedade generalizada uma das mais prevalentes. A nível mundial, estamos a...

Espaço a umas reflexões sobre doenças mentais e a sociedade

Dizem que vivemos numa sociedade moderna, inclusiva e consciente da importância da saúde mental. No entanto, na prática, continuam a existir profundos preconceitos em relação às pessoas que sofrem desse mal silencioso e inquietante. Não raras vezes, essas pessoas olham para quem sofre desse problema, como sendo alguém com "falta de força de vontade", “comodista”, só agravando o sofrimento de quem vive com estas condições, contribuindo, por isso, para o isolamento do, também apelidado, “maluco”, “tonto”, por aí adiante. Há uma tendência social para valorizar o desempenho, a produtividade e o sucesso visível, ignorando o sofrimento invisível que muitas pessoas carregam diariamente. Num mundo que exige estar sempre "bem", as doenças mentais são vistas como falhas, como sinais de fraqueza — quando na verdade são doenças reais, tão legítimas quanto uma doença física. Esta mentalidade retrógrada e egoísta, induz o silêncio: muitos preferem calar a dor para evitar julgamen...

Sobre o 25 de Abril

A Revolução de 25 de Abril de 1974 marcou um ponto de viragem incontornável na história contemporânea de Portugal. Conhecida como a Revolução dos Cravos, pôs fim a quase meio século de ditadura salazarista, abrindo caminho à tão desejada liberdade e, por conseguinte, à “construção” de um Estado de Direito. Foi, de facto, um momento de coragem, protagonizado por militares, mas profundamente impulsionado por um enorme, e contínuo, descontentamento popular. A transição para a democracia não foi isenta de tensões: o PREC (Processo Revolucionário em Curso) revelou divisões políticas, instabilidade económica e dificuldades na gestão de expectativas sociais. Vieram as nacionalizações, as reformas aceleradas e inesperadas que resultaram em lutas populares contra, afinal, os vestígios de um tempo passado, mas que ainda mantinha algum poder nesse “Novo” Portugal. Ainda assim, a revolução trouxe o pluralismo político, os direitos laborais, e deu início a uma relevante alteração da sociedade, das ...