Não há nada de mais extraordinário do que ser ignorante.
Tenho para mim que o desconhecimento é fundamental para a nossa felicidade, como aquele ditado que diz: “quem não vê é como quem não sente.” Não concordo com esse ditado, porque sentimos mesmo que não vejamos a razão do sentir.
Ser ignorante é ouvir mais do que falar. É deixar que as coisas aconteçam como se cada minuto fosse uma novidade, algo de novo, algo que, a pouco e pouco, vai consumindo a ignorância.
Acredito que ninguém vive ignorante toda uma vida; é impossível, até porque o mais básico do conhecimento não deixa de ser uma aprendizagem, um saber, uma razão para questionar.
O problema é que, mesmo que se queira ser ignorante, não se consegue, porque vivemos em comunidade, falamos uns com os outros e, mesmo que vivamos num mundo de analfabetos, a ignorância não resiste ao conhecimento que nos rodeia.
Por isso é que não existe uma única pessoa ignorante ao de cima da Terra, nem uma.
Mas eu gostava de parar o meu conhecimento, tapar os ouvidos, vedar os olhos, deixar de ter tacto, olfacto, tudo… só para deixar de ver e ouvir o que se passa à minha volta.
Fugir? Talvez.
Ir para bem longe, para um buraco qualquer, sem ver ninguém, sozinho. Mas nem nesse local imaginário deixaria de escutar as aves, os sons da natureza, o vento, a chuva, tudo o que o Universo não esconde e que nos obriga a conhecer para sobreviver.
Mas que extraordinário seria que a ignorância me possuísse. Que leveza teria a minha vida; a quantas perguntas não responderia, quantas opiniões emitiria, quantas questões haveria para as quais não encontraria resposta?
Nada sei sobre os segredos da mente, e menos sei sobre a sua teimosia em querer aprender, desde sempre, desde que a Vida existe neste planeta. Não há como resistir ao conhecimento, nem como o derrotar.
Os inteligentes são conhecedores; já os espertos são astutos. E é no meio dos dois que reside o ignorante: nem a montante, nem a jusante, bem no meio.
O problema, claro está, é que ambos se aproveitam do ignorante. Jogam com ele como se fosse uma bola de trapo. E o ignorante, que não tem nenhuma das “qualidades” dos anteriores, vai sobrevivendo às investidas.
Por isso é que admiro a ignorância, porque é o melhor remédio para sermos felizes. Nada saber, nada questionar, nada argumentar… NADA.
Imagem: Autor desconhecido

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