Existem, sem dúvida alguma, pessoas que convivem bem com o avançar da idade.
Outras passam por essa fase de uma forma mais complicada, não gerindo bem as chamadas “dores da idade”. Eu sou dos últimos.
Lembrei-me de escrever estas parcas palavras sobre este assunto quando, na minha caminhada nocturna, ouvi a canção “Hierencore”, magistralmente cantada por Charles Aznavour.
Uma canção com uma letra simples dirão uns, uma letra que apenas poderia ser escrita por alguém que “sente”, e sente-se tão pouco nos dias de hoje, dirão outros.
Mas, relativamente à letra, destacaria – erro meu destacar algo que só faz sentido no seu conjunto, impecavelmente contextualizado – a parte que refere:
“[…] Ainda ontem, eu tinha vinte anos.
Mas perdi o meu tempo,
A cometer loucuras,
Que no fundo não me deixam,
Nada de realmente concreto,
Além de algumas rugas na fronte,
E o medo do tédio. […]”
O percurso de vida que temos, cada um de nós, mais tarde ou mais cedo acaba por nos pregar as partidas há muito anunciadas e ainda que nos esforcemos por adiar o inadiável, teremos todos de soçobrar ao inevitável; a velhice.
“Hier encore”, na minha interpretação, deixa essa mensagem. A mensagem de um passado saudoso e tudo o que as opções de vida implicam.
Decidir é ter controlo sobre nós, sobre as nossas opções. Não existe nada de mais admirável do que tomar opções que, apesar da sua dificuldade, nos coloque bem com o Ego (leia-se "Eu").
No entanto, o grande problema é que nunca ninguém saberá qual o melhor caminho; se o que se escolheu, se o outro que poderia ter seguido.
E é nessa dicotomia, dessa oposição – o que significa o mesmo – que o Ser Humano vive e continuará a viver.
E a música termina com uma pergunta:
“Onde estão agora, os meus vinte anos?”
Video: https://www.youtube.com/@aznarchive
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