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Mensagens

O que conta

Os dias que contam. Contam os dias em que o sol brilha, Contam os dias em que chove a “cântaros”, Contam ainda os dias cinzentos, Que obscurecem a nossa existência. Contam todos os dias, Todos os pássaros que cantam, Todos os peixes que sobrevivem ao Homem, Todos os que contam os dias como seus, Individual e cinicamente  nossos. Foto: @BSD

A minha catarse

A catarse precisa de ser feita, sem qualquer sombra de dúvida, sempre que exista uma razão para isso. Não é um sinal de fraqueza nem de perda de controlo; não tem nada de dramático. Ao longo da vida passamos por fases que nos desafiam e que nos obrigam a parar, a reflectir ou, simplesmente, a tomar a decisão tão esperada, como é o meu caso: a saída da vida profissional. Nos últimos tempos, tenho percebido isso de forma ainda mais clara. A entrada na reforma, por exemplo, é um desses momentos que parece ter tudo para ser leve e libertador, mas nem sempre é assim. De um dia para o outro, mudam as rotinas, as referências, o propósito diário. Ficam espaços vazios que antes estavam preenchidos, surgem dúvidas, inquietações, até medos que nunca imaginámos sentir. Os ditos "amigos" deixam de ligar, a vida segue e segue para os dois lados. Uns continuam a trabalhar e outros não: já o fizeram.  E é precisamente aí, nesse desnorte discreto, nessa solidão social e por vezes famili...

Momentos de Paz

Junto ao azul do mar, Descanso o meu olhar. Descanso, também, as minhas inquietudes, As que me assaltam diariamente. Junto ao mar azul, Com o vento de sul a soprar, Vejo o tempo passar, Adormecendo, finalmente, o meu pensar. Ali, sentado na areia, Sinto-me envolvido pela sensação de paz, Pelo meu sentimento de abandono. Ao longe, o barulho dos viventes atarefados! Deixá-los ir. Eu fico aqui, junto ao azul infinito do mar.   Postal: Conforme indicado no mesmo.

Reflexão sobre a Saúde Mental e Assédio Moral no Trabalho: Um problema global

  Nota prévia: Antes de ler o que abaixo se expõe, consulte  https://www.ilo.org/pt-pt/resource/news/viol%C3%AAncia-e-o-ass%C3%A9dio-no-trabalho-afetam-mais-de-uma-em-cada-cinco-pessoas  (acedido em 05/10/2025)   Já há muito tempo que sentia a necessidade de escrever uma breve reflexão sobre o impacto do assédio moral no trabalho na saúde mental dos trabalhadores, particularmente no contexto da Função Pública. Isto sem prejuízo das entidades privadas, que necessitam de uma abordagem diametralmente diferente. Este é um tema delicado, muitas vezes ignorado nas discussões institucionais, mas cuja gravidade se reflecte diariamente na vida de milhares de pessoas que enfrentam ambientes laborais hostis, relações hierárquicas abusivas e culturas organizacionais permissivas face à violência psicológica. A saúde mental tem sido, nos últimos anos, objecto de maior atenção, mas ainda se encontra envolta num certo silêncio social, sobretudo quando relacionada com o trabalho. Em Portugal, o...

Sonhos interrompidos

De repente, o sonho de uma noite calma desvaneceu-se. Nesse instante, tudo se alterara. Tudo mudara com aquele sorriso repentino e inesperado, com aquele olhar profundo e cintilante. Não podia resistir aos impulsos do outro, muito menos aos seus próprios. Sentiu que naquela noite a sua vida ia sofrer a tão esperada mudança. Uma tempestade de emoções preenchia-lhe a cabeça. Já nem conseguia pensar. Voltar para os braços de quem abrira a porta do seu coração era tudo o que desejava. O quarto estava escuro; na cama aguardava o aconchego, o calor do outro. Mas esse momento parecia não mais acontecer. Acordou, meio desorientada, e só então se permitiu aceitar que tudo o que estava a sentir não era mais do que os ecos de uma noite em que ele deixara a sua cama. Um ano antes. * *Texto de 23 de Março de 2006 Desenho: BSD

O candeeiro

Tenho uma relação séria e duradoura com o candeeiro da minha rua. À primeira vista pode parecer uma afirmação insólita, talvez até absurda, mas há, entre nós, um entendimento silencioso que ultrapassa a mera funcionalidade.  Ele oferece-me luz e eu ofereço o propósito de “ser”. Na sua presença o caminho torna-se visível. Não apenas o caminho físico que percorro, mas também aquele que se insinua dentro de mim sempre que a noite cai e o mundo se recolhe. Sem a sua luz seria mais difícil distinguir o real do imaginário.  Sem o meu olhar talvez a sua existência passasse despercebida, como tantas outras presenças mudas que nos rodeiam. Vivemos uma espécie de pacto discreto: ele ilumina-me e eu reconheço-lhe o valor.  Quando, por vezes, se apaga - porque até a luz mais constante acaba por soçobrar ao tempo - sou eu quem lhe devolve a chama, substituindo a lâmpada com o cuidado de quem trata de um velho amigo. Neste gesto simples reside uma verdade maior: nada existe por ...