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Mensagens

Espaço a umas reflexões sobre doenças mentais e a sociedade

Dizem que vivemos numa sociedade moderna, inclusiva e consciente da importância da saúde mental. No entanto, na prática, continuam a existir profundos preconceitos em relação às pessoas que sofrem desse mal silencioso e inquietante. Não raras vezes, essas pessoas olham para quem sofre desse problema, como sendo alguém com "falta de força de vontade", “comodista”, só agravando o sofrimento de quem vive com estas condições, contribuindo, por isso, para o isolamento do, também apelidado, “maluco”, “tonto”, por aí adiante. Há uma tendência social para valorizar o desempenho, a produtividade e o sucesso visível, ignorando o sofrimento invisível que muitas pessoas carregam diariamente. Num mundo que exige estar sempre "bem", as doenças mentais são vistas como falhas, como sinais de fraqueza — quando na verdade são doenças reais, tão legítimas quanto uma doença física. Esta mentalidade retrógrada e egoísta, induz o silêncio: muitos preferem calar a dor para evitar julgamen...

Sobre o 25 de Abril

A Revolução de 25 de Abril de 1974 marcou um ponto de viragem incontornável na história contemporânea de Portugal. Conhecida como a Revolução dos Cravos, pôs fim a quase meio século de ditadura salazarista, abrindo caminho à tão desejada liberdade e, por conseguinte, à “construção” de um Estado de Direito. Foi, de facto, um momento de coragem, protagonizado por militares, mas profundamente impulsionado por um enorme, e contínuo, descontentamento popular. A transição para a democracia não foi isenta de tensões: o PREC (Processo Revolucionário em Curso) revelou divisões políticas, instabilidade económica e dificuldades na gestão de expectativas sociais. Vieram as nacionalizações, as reformas aceleradas e inesperadas que resultaram em lutas populares contra, afinal, os vestígios de um tempo passado, mas que ainda mantinha algum poder nesse “Novo” Portugal. Ainda assim, a revolução trouxe o pluralismo político, os direitos laborais, e deu início a uma relevante alteração da sociedade, das ...

Ensaio: Tristeza, Vaidade e Solidão nas Redes Sociais - Um desafio

Num mundo cada vez mais digitalizado, as redes sociais assumem um papel central na forma como comunicamos, nos relacionamos e até como lidamos com as nossas emoções. No entanto, a presença constante num estado de vivência “online” tem vindo a criar desafios à autenticidade emocional. A tristeza, a alegria, a vaidade e a solidão são alguns dos fenómenos cada vez mais confusos, em particular no universo digital, onde a aparência frequentemente se sobrepõe à essência. A tristeza, outrora vivida de forma íntima e resguardada, é hoje muitas vezes partilhada publicamente. As redes sociais oferecem um palco onde cada emoção pode ser exibida, mas nem sempre essa partilha representa um acto genuíno de vulnerabilidade. Em muitos casos, a tristeza surge camuflada por filtros, acompanhada de legendas pensadas para causar impacto. Esta exteriorização emocional pode ser vista como empatia, mas também pode ser um reflexo de uma necessidade de atenção. Neste contexto, a vaidade surge como um elemento ...

Da liberdade da escrita de cada um...

Escrever é, para mim, a liberdade na ponta da minha caneta. Nesse processo químico de transformação da tinta que verte da caneta para palavras no papel, não apenas narro as minhas estórias, como também liberto as minhas emoções, pensamentos e experiências que, muitas vezes, permanecem ocultas nas “gavetas” da minha mente. Escrever livremente é, em si mesmo, um processo catártico que me permite explorar, entre tantas outras coisas, a enorme complexidade do mundo que me rodeia. Por isso, pouco me importa quem me lê, o que pensam das minhas divagações, do interesse que os meus textos despoletam em terceiros. Seguirei sempre, como quando iniciei esta “coisa” tão libertadora da escrita, ainda era um menino com acne. A escrita, sendo libertadora, não deve estar agrilhoada a nenhum tema em específico, mas a uma sensação de confronto, e conforto, interior entre o escritor e o papel. A caneta é a ligação entre o imaterial e o material.  E isso é verdadeiramente admirável. Uma boa semana aos meu...

Risco

Risca de uma vez por todas a minha imagem. Risca-me do teu olhar, do teu pensamento, da tua vida. Risca-me de tudo o que te recorda de mim. Serei talvez esse risco torto, mas firme, Fácil de apagar, se quiseres, Basta que os teus sentimentos te libertem, E te mostrem um outro caminho. Risca, acima de tudo, o dia em que trocámos olhares puros, Virgens de qualquer experiência. Até que o brilho das estrelas se desfaça, E o eco da minha liberdade se perca na tua memória.

O velho tronco

  O velho tronco, agora nos seus últimos tempos de existência, não parece resistir às forças que a natureza lhe impôs. O seu interior, outrora sólido e forte, começa a decompor-se, dia após dia, mês após mês, ano após ano. O velho tronco permanece ali, isolado entre as construções e o passeio por onde passo todas as noites na minha caminhada, não como um pedaço de madeira morta, mas como um símbolo de resistência e renovação

A Espera

Sentado num banco de jardim, Deixo os minutos correr, Sem pensar em nada de importante, Apenas a ouvir o murmúrio do silêncio. Pessoas apressadas, sombras que dançam, Vão e vêm, como folhas ao vento, E o vai e vem dos carros? Num ritmo estonteante, sem consciência. Espero, imóvel, até que um grito, Rompa o silêncio e me acorde, Desta letargia ambulante, Deste corpo morto que me envolve.