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O Mar

      O Mar salta na areia, sem parar. O Mar galga as pedras, sem temor. O Mar sopra na espuma, ventania. O Mar engole o homem, sem pudor. O Mar cansa-nos com o seu sal. O Mar cheira e sabe a sal. O Mar cobre-nos de vida, porque alimenta. O Mar alarga os horizontes. O Mar justifica o horizonte. O Mar é canção que não cala. O Mar, o nosso Mar, é tão diferente. O Mar, somos nós e ele. Até que o Mar bateu à porta e num instante o seu corpo se deitou inerte, no seu leito de amor.

Até que as forças não desapareçam

A cada crise que aparece, parece-me que se desmorona o castelo que infinitamente vou reconstruindo. A cada ameia que cai, a cada pedra que se solta, é mais um esforço que faço, na tentativa de unificar o meu “quadrado”. Os castelos são mesmo assim. Erigidos pedra sobre pedra, sem argamassa interligante, fortes e resistentes. Esses são os castelos, os verdadeiros, os medievais. Os outros, os da mente, não são iguais e basta uma pequena aragem para o deitar abaixo. E vamos, momento após momento, reconstruindo, pegando na mesma pedra que colocámos ontem, e, teimosamente, a acomodamos no mesmo exacto lugar, até que as forças se esgotem, até que pesada pedra vença o pensamento atordoado pela negatividade, o corpo cansado pela luta incessantes contra a ansiedade.   

Por Entre Ruas Estreitas

 Quando perdeste o sonho e a certeza tornaste-te desordem e fizeste-te nuvem. Simónides de Kéos, Epitáfio nas Termópilas   Por entre ruas estreitas avanço o meu olhar, mais e mais longe, o quanto posso alcançar. Vislumbro mal, mas sinto o cheiro desse mar revolto, dessa maresia esvoaçante, carregada de histórias dramáticas. Penso em encará-lo de frente, lutar com ele, mas talvez não, talvez apenas me sente aqui, onde é seguro, onde o posso enfrentar, cobardemente. Olho em redor. Vejo por entre a névoa dos meus olhos, o velho “suberco” e o “canto” das pedras, mais visível, as pedras que caiem, sem aviso, ao longo de várias existências, mas é o canto das pedras. Que histórias conta? E o canto do mar, que também canta, e o canto dos barcos, dos bois, das redes, dos pescadores, das mulheres a praguejar na praia, os cantos de tudo o que dava vida a esta terra. Estão “quasi” todos mudos, avariados, qual telefonia. Só já resta aquilo para que olho, porque é aquilo que ainda vejo, teimosamente...

Abraço

  Abraça-me até que esse gesto me sufoque, Até que as minhas lágrimas saltem dos meus olhos e escorram pela minha face. Até que eu me misture e me funda num todo contigo. Abraça-me até que o sol deixe de iluminar a Terra. Até que o Universo seja finito. Até que o meu coração pare de bater e recomece passado uma hora. Abraça-me até que este grito interior silencie todo o barulho do mundo, E se converta num silêncio profundo e Universal. Abraça-me de cada vez que sentires que a minha presença te falta e que a distância física nos separa. Abraça-me, por fim, até que ambos tombemos para lados opostos, mas de mão dada.   Composição de B.S.D., 1996.

Regresso

Olá a todos, O blog Letras & Notas está de regresso após um período de pausa por motivos pessoais. Com este regresso iremos continuar a partilhar as nossas reflexões, assim como comentar os textos que outros autores colocam nos seus blogs. Infelizmente, a vida trata de nos pregar umas surpresas menos boas. Agora é continuar a escrever e partilhar. Até já amigos e colegas desta excelente plataforma da Sapo.

Luto

  Quantas vagas galgas-te, pescador? Quantas noites ao frio e à chuva. Quantos tormentos o teu coração calou. Quantos gritos a tua voz abafou. Quantas preces dirigidas à Senhora. Quantos minutos que pareciam horas. Quantas mulheres ficaram de preto vestidas. Quantas ondas serão precisas para calar a tua dor.