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O Mar

      O Mar salta na areia, sem parar. O Mar galga as pedras, sem temor. O Mar sopra na espuma, ventania. O Mar engole o homem, sem pudor. O Mar cansa-nos com o seu sal. O Mar cheira e sabe a sal. O Mar cobre-nos de vida, porque alimenta. O Mar alarga os horizontes. O Mar justifica o horizonte. O Mar é canção que não cala. O Mar, o nosso Mar, é tão diferente. O Mar, somos nós e ele. Até que o Mar bateu à porta e num instante o seu corpo se deitou inerte no seu leito de amor.

Cartas: de um Inadaptado a um Desconhecido

Nota prévia:  Estes textos andam por aqui desde 31/05/2010, pelo menos é o que diz nos "Detalhes" do ficheiro. ___________________________________________________________________________________ Caro Desconhecido, Espero que, depois da nossa última conversa, te sintas melhor do que eu. Estavas mal, lembro-me bem — das tuas agruras, das tuas tristezas, das tuas ansiedades, enfim, de tudo o que te faz sentir revoltado com a vida. Eu cá vou indo, ou antes, não vou. Sinto, a cada dia que passa, que não consigo almejar aquilo que mais quero: paz. Porque a saúde, essa, já há uns anos que me vai protegendo, tirando aquela situação que te contei, já lá vão três anos. Agora sinto que estou novamente numa fase má da minha vida. Estou revoltado e, por estranho que pareça, não é nada que tenha a ver directamente comigo. Parece estranho, não é, caro amigo? Mas é verdade. Revolta-me tanta falta de sinceridade, tanta falta de responsabilidade, tanta jogada de bastidores, tanta promiscuidade...

Duas vertentes

Tenho de confessar que este tipo de escrita não é a minha praia, mesmo que a tenha adotado antes da outra, a tal que há mais de duas décadas e meia ando a escrever. Confesso que ambas são complexas, mas esta é bem mais complicada, posto que exige aquilo a que eu chamo de “momento”. O “momento” em que pelos nossos dedos escorrem os pensamentos, as emoções, as “coisas todas” que nos fazem escrever. E são tantas e tão dificeis, pelo menos para mim, de articular. A outra escrita, mais fechada no seu mundo, não permite essa liberdade, essa evocação dos espíritos que habitam nos nossos pensamentos. Obriga a criar um qualquer texto que acrescente algo de novo a uma qualquer área da ciência. Já dizia um meu antigo professor de faculdade que “a investigação não é mais que o conhecimento das fontes e, claro, as ilações que o investigador tira das mesmas.” Assim se nota a “prisão” desse tipo de escrita e a liberdade da outra, aquela que humildemente vou escrevendo neste espaço. Neste caminho apre...