A solidão não é só a ausência de companhia. É, também, a presença crua de tudo o que fui obrigado a "calar". É o espelho que não perdoa. O silêncio que já não me consegue enganar. É o lugar onde me encontro depois de ter sido abandonado por tudo ou por todos. Há uma solidão que dói mais do que a falta do outro, É a solidão de estar comigo e não saber o que fazer com a mesma. É olhar para dentro e não reconhecer a casa onde habito, como se a minha alma tivesse envelhecido antes do corpo. Como se tivesse deixado partes de mim pelo caminho e agora andasse a tentar dar sentido a um puzzle onde não existem as peças que faltam. Lembro-me daquela criança que fui. Tímida, de olhos pequenos, não grandes porque isso todos dizem que têm, mas de coração cheio. Sozinha muitas vezes. Mas nunca vazia. Porque nesse tempo a solidão era normal, pelo menos para mim, Mas eu tinha, digamos, o dom de criar castelos imaginários. Brincava com o vento e falava com as pedras da calçada, como se fossem...
Reflexões a esmo