A Revolução de 25 de Abril de 1974 marcou um ponto de viragem incontornável na história contemporânea de Portugal. Conhecida como a Revolução dos Cravos, pôs fim a quase meio século de ditadura salazarista, abrindo caminho à tão desejada liberdade e, por conseguinte, à “construção” de um Estado de Direito. Foi, de facto, um momento de coragem, protagonizado por militares, mas profundamente impulsionado por um enorme, e contínuo, descontentamento popular. A transição para a democracia não foi isenta de tensões: o PREC (Processo Revolucionário em Curso) revelou divisões políticas, instabilidade económica e dificuldades na gestão de expectativas sociais. Vieram as nacionalizações, as reformas aceleradas e inesperadas que resultaram em lutas populares contra, afinal, os vestígios de um tempo passado, mas que ainda mantinha algum poder nesse “Novo” Portugal. Ainda assim, a revolução trouxe o pluralismo político, os direitos laborais, e deu início a uma relevante alteração da sociedade, das ...
Reflexões a esmo