A catarse precisa de ser feita, sem qualquer sombra de dúvida, sempre que exista uma razão para isso. Não é um sinal de fraqueza nem de perda de controlo; não tem nada de dramático. Ao longo da vida passamos por fases que nos desafiam e que nos obrigam a parar, a reflectir ou, simplesmente, a tomar a decisão tão esperada, como é o meu caso: a saída da vida profissional. Nos últimos tempos, tenho percebido isso de forma ainda mais clara. A entrada na reforma, por exemplo, é um desses momentos que parece ter tudo para ser leve e libertador, mas nem sempre é assim. De um dia para o outro, mudam as rotinas, as referências, o propósito diário. Ficam espaços vazios que antes estavam preenchidos, surgem dúvidas, inquietações, até medos que nunca imaginámos sentir. Os ditos "amigos" deixam de ligar, a vida segue e segue para os dois lados. Uns continuam a trabalhar e outros não: já o fizeram. E é precisamente aí, nesse desnorte discreto, nessa solidão social e por vezes famili...
Reflexões a esmo