Quando perdeste o sonho e a certeza tornaste-te desordem e fizeste-te nuvem. Simónides de Kéos, Epitáfio nas Termópilas Por entre ruas estreitas avanço o meu olhar, mais e mais longe, o quanto posso alcançar. Vislumbro mal, mas sinto o cheiro desse mar revolto, dessa maresia esvoaçante, carregada de histórias dramáticas. Penso em encará-lo de frente, lutar com ele, mas talvez não, talvez apenas me sente aqui, onde é seguro, onde o posso enfrentar, cobardemente. Olho em redor. Vejo por entre a névoa dos meus olhos, o velho “suberco” e o “canto” das pedras, mais visível, as pedras que caiem, sem aviso, ao longo de várias existências, mas é o canto das pedras. Que histórias conta? E o canto do mar, que também canta, e o canto dos barcos, dos bois, das redes, dos pescadores, das mulheres a praguejar na praia, os cantos de tudo o que dava vida a esta terra. Estão “quasi” todos mudos, avariados, qual telefonia. Só já resta aquilo para que olho, porque é aquilo que ainda vejo, teimosamente...
Reflexões a esmo