A tua sombra está torta, Não consigo compreender. Será de ti, ou da sombra? Ou será da reflexão da luz que te ilumina. A tua sombra está torta, desvanecida, Porventura estará morta?
Sentado num banco de jardim, Deixo os minutos correr, Sem pensar em nada de importante, Apenas a ouvir o murmúrio do silêncio. Pessoas apressadas, sombras que dançam, Vão e vêm, como folhas ao vento, E o vai e vem dos carros? Num ritmo estonteante, sem consciência. Espero, imóvel, até que um grito, Rompa o silêncio e me acorde, Desta letargia ambulante, Deste corpo morto que me envolve.
Abraça-me até que esse gesto me sufoque, Até que as minhas lágrimas saltem dos meus olhos e escorram pela minha face. Até que eu me misture e me funda num todo contigo. Abraça-me até que o sol deixe de iluminar a Terra. Até que o Universo seja finito. Até que o meu coração pare de bater e recomece passado uma hora. Abraça-me até que este grito interior silencie todo o barulho do mundo, E se converta num silêncio profundo e Universal. Abraça-me de cada vez que sentires que a minha presença te falta e que a distância física nos separa. Abraça-me, por fim, até que ambos tombemos para lados opostos, mas de mão dada. Composição de B.S.D., 1996.