Que segredos escondes nas cicatrizes que transportas? No olhar cansado que mostras, Nos lábios já secos de tanto gritarem, Nos braços flácidos de tanto puxarem, Nas pernas bambas que te levaram. Que segredos contas? Não me dizes? Que sentimento é o teu que me causa arrepios, Que coração de pedra (que não tens) te faz parecer tão frio. Ambos, no fundo, sabemos que os teus segredos não são mais que o resultado das lutas que travaste. Agora, cansado, derrotado, cais para o lado, sem amparo. Nem o sustento que deste aos sustentados te sustenta uma ínfima vontade de viver. A última das tuas forças não vai para ti, Mas para dentro dos teus pensamentos, para a cova que te espera, fria e húmida. Esconde ela também um segredo, O segredo da vida eterna.
Reflexões a esmo